Costumes coreanos nos doramas: 12 detalhes explicados
Por que eles se curvam, servem bebida com as duas mãos e perguntam a idade logo de cara? Entenda 12 costumes coreanos que aparecem em todo dorama.
Você já deve ter passado por isso: está assistindo um dorama, o personagem faz algo estranho — se curva no meio da rua, entrega um cartão com as duas mãos, se irrita porque alguém falou de um jeito “errado” — e você fica com aquela pergunta na cabeça: por que isso é importante?
A resposta quase sempre está na cultura. A Coreia do Sul tem códigos sociais muito específicos, e os roteiristas partem do princípio de que o público conhece todos eles. Reunimos 12 costumes que aparecem em praticamente todo dorama e explicamos o que cada cena realmente significa. Depois disso, você vai assistir tudo com outros olhos.
1. A reverência (인사, insa)
O ato de curvar-se é a saudação básica. E ele tem graus:
- Aceno leve de cabeça: entre colegas de mesma idade ou pessoas próximas.
- Curvatura de uns 30 a 45 graus: para superiores, clientes, pessoas mais velhas.
- Curvatura profunda, quase 90 graus: pedido de desculpas sério, agradecimento enorme ou situação muito formal.
- Ajoelhar-se e encostar a testa no chão: reservado a ocasiões cerimoniais, como o Ano-Novo, ou a um pedido de perdão dramático.
Quando um personagem se recusa a curvar, está declarando desafio. Quando se curva demais, está humilhado ou desesperado. É linguagem corporal com significado exato.
2. Os níveis de fala: banmal e jondaetmal
O coreano tem formas de falar mais formais e mais informais. O jondaetmal é a fala respeitosa, usada com pessoas mais velhas, desconhecidos e superiores. O banmal é a fala casual, usada com amigos próximos, pessoas mais novas e familiares.
Por isso existe aquela cena clássica em que alguém diz, com raiva, algo como “quem você pensa que é para falar assim comigo?”. Não é frescura de tradução: a pessoa usou banmal com quem não devia.
E existe o oposto, muito fofo: quando um casal decide parar de se tratar formalmente. Esse momento é praticamente um marco de relacionamento, equivalente a “agora estamos íntimos”.
3. Por que perguntam a idade logo no primeiro encontro
Parece indelicado para nós, mas é prático: a idade define como as duas pessoas vão se tratar. Antes de saber quem é mais velho, o coreano não sabe qual forma de falar usar nem qual palavra empregar para chamar o outro.
Por isso a pergunta aparece nos primeiros minutos de tantos doramas. Não é curiosidade — é organização social.
Vale um detalhe atualizado: durante décadas os coreanos usaram a chamada “idade coreana”, em que a pessoa já nascia com 1 ano e ganhava mais um a cada Ano-Novo. Em junho de 2023, entrou em vigor uma lei que padronizou o uso da idade internacional em documentos e questões oficiais. No dia a dia e nos doramas antigos, porém, você ainda vai ouvir o sistema antigo.
4. Oppa, unnie, hyung, noona
São formas de tratamento ligadas à idade e ao gênero de quem fala:
- Oppa: mulher chamando um homem mais velho.
- Hyung: homem chamando um homem mais velho.
- Unnie: mulher chamando uma mulher mais velha.
- Noona: homem chamando uma mulher mais velha.
Servem para irmãos de verdade, mas também para amigos próximos e — no caso de “oppa” — para namorados, o que dá aquele tom carinhoso característico. Explicamos esses e outros termos com calma no glossário do dorama.
5. Sunbae e hoobae: a hierarquia que nunca acaba
Sunbae é quem chegou antes (na escola, na empresa, na profissão). Hoobae é quem chegou depois. Essa relação atravessa a vida inteira do coreano e explica boa parte dos conflitos de doramas de escritório: o hoobae deve respeito, o sunbae deve orientação e proteção.
6. Servir bebida com as duas mãos
Nunca se serve a própria bebida. Você enche o copo do outro, e ele enche o seu. Ao servir alguém mais velho ou superior, segura-se a garrafa com as duas mãos (ou uma mão apoiando o antebraço).
Ao beber diante de um superior, o mais novo vira o rosto para o lado, cobrindo levemente o copo. É um gesto de respeito que aparece em toda cena de bar.
7. Receber e entregar com as duas mãos
A mesma lógica vale para cartões de visita, presentes, dinheiro e documentos: entregar ou receber com as duas mãos demonstra respeito. Entregar com uma mão só, especialmente para um superior, é falta de educação — e quando um personagem faz isso de propósito, é provocação.
8. Tirar os sapatos ao entrar em casa
Não existe negociação nesse ponto: entra-se descalço. A área da entrada da casa é rebaixada exatamente para separar “fora” de “dentro”.
É por isso que cenas de invasão de casa com sapatos causam tanto choque, e por isso muitos doramas mostram a rotina inteira acontecendo no chão — comer sentado à mesinha baixa, dormir em colchão estendido.
9. O sobrenome vem primeiro
Em “Kim Soo-hyun”, Kim é o sobrenome. Cerca de metade da população coreana carrega os sobrenomes Kim, Lee ou Park, o que explica por que tantos personagens parecem ter nomes parecidos.
Chamar alguém apenas pelo nome, sem título nem sufixo, é sinal de muita intimidade — ou de desrespeito, dependendo do contexto.
10. O serviço militar obrigatório
Todo homem sul-coreano fisicamente apto precisa cumprir serviço militar. Isso aparece em doramas como uma separação real: o namorado vai servir, a namorada espera, a carreira do ator dá uma pausa.
Falamos sobre como isso afeta a agenda das estrelas no artigo sobre o serviço militar dos atores coreanos.
11. Datas de casal (e os “100 dias”)
Casais coreanos comemoram marcos que soam exóticos para nós: 100 dias, 200 dias, 300 dias de namoro, além de datas mensais. Também é comum o uso de roupas combinando — o famoso couple look —, que funciona quase como um anúncio público de que a relação existe.
E tem o calendário romântico próprio: 14 de fevereiro (mulheres presenteiam homens), 14 de março, o White Day (homens retribuem) e 14 de abril, o Black Day (solteiros comem macarrão preto juntos, num luto bem-humorado).
12. Pequenas superstições que a câmera mostra
- Não escrever nomes com tinta vermelha: tradicionalmente associado a pessoas falecidas.
- Evitar o número 4: a palavra soa parecida com “morte” na leitura sino-coreana, e por isso alguns prédios usam “F” no lugar do 4 no elevador.
- Presentear com dinheiro em envelope: em casamentos e funerais, o valor entra em um envelope específico, e o nome de quem deu fica registrado.
- Não dar sapatos ao namorado ou à namorada: diz a crendice que a pessoa vai “caminhar para longe” de você.
Por que conhecer isso melhora a experiência
Depois que você entende esses códigos, cenas que pareciam neutras ganham sentido. Aquele personagem que serve soju com uma mão só está sendo arrogante de propósito. Aquela heroína que insiste em usar linguagem formal com o chefe está mantendo distância emocional. Aquele momento em que os dois finalmente combinam de “falar de igual para igual” é uma declaração.
É a mesma diferença entre ouvir uma música e entender a letra. E é também um dos motivos pelos quais tanta gente que começou assistindo dorama acabou estudando coreano por conta própria.
Continue aprendendo
Se você está entrando agora nesse universo, comece pelo básico com o guia completo sobre o que é dorama e depois escolha o primeiro título na nossa lista dos melhores K-dramas para começar. Cada episódio, daqui pra frente, vai render um detalhe novo. 🇰🇷